domingo, 5 de setembro de 2010

SEXO É TAMBÉM AMOR!

Apesar de o protagonista do filme exibido em fotograma tentar diluir esta conclusão com a repetição do mantra ensinado por seu pai (“o único amor que fica é amor de pica!”), saí da sessão de “As Seis Mulheres de Adão” (1982, de David Cardoso) não somente satisfeito no plano espectatorial como também levemente surpreendido: fora a primeira vez que eu assistira a um filme legitimamente pornográfico brasileiro da década de 1980 [o genial “Oh! Rebuceteio” (1984, de Cláudio Cunha) não conta, pois suas intenções são bem diversas!] e não esperava que tantas cenas de sexo explícito motivassem piadas e situações de perseguição sexista que permanecem ainda tão atuais. Foi realmente uma descoberta!

Apesar de eu detestar a autopromoção desenfreada do diretor e protagonista, não me furtarei de elogiar a sagacidade de David Cardoso em criar variações enredísticas mui críveis no que tange ao entrecho geral mui oportunista. Basicamente, o filme é sobre isso: a tal meia dúzia de mulheres do título reúne-se num luxuoso jantar, onde se arquiteta a castração de Adão, um cara metido a gostosão que fez sexo e abandonou cada uma delas, não sem antes deixar bem claro que o faria, logicamente. A partir daí, acompanhamos ‘flashbacks’ sexuais explicando como foram os tais encontros, além da preparação para um lance cômico genial do enredo: quando o afetado mordomo da residência onde se travam o jantar e a orquestração do ato de capar Adão diz a ele que é um devoto esperançoso de seu tesão, Adão responde: “pois é, não se canse de esperar. Estou sempre aberto a novas experiências”. Caramba, na época em que o filme foi lançado, o contexto erótico-discursivo deve ter sido bastante relevante!

Além do diálogo supracitado apologético aos adendos homoeróticos na rotina de um mulherengo contumaz, gostei de cenas literalmente escrotas, como um comentário sobre o tamanho avantajado dos testículos do protagonista numa cena de chuveiro coletivo ou o próprio ritual progressivamente frustrado de sedução de uma jovem e bela bailarina aparentemente virgem. Sem contar que a faixa que ostenta a sala onde se realiza o jantar (“Ame-o ou Deixe-o”) é um primor de sátira política, cara ao período em que o filme foi realizado. Apesar de todos os defeitos, gostei mesmo do filme!

Transferindo a reflexão discursiva para a minha vida pessoal, relembro aqui a minha tendência particularíssima em distinguir demonstrações de afeto e práticas sexuais efetivas no que tange à paixão que sinto por outrem. Já expliquei várias vezes que a declaração “te amo da cintura para cima” é comum em minhas divagações românticas, o que denota que ainda tenho muito, muito o que aprender no que diz respeito ao enfrentamento de tabus sexuais. Meu espanto diante deste bom filme pornográfico é a prova viva disto! Recomendo... e amo!

Detalhe: mais de uma pessoa que me acompanharam na sessão notaram que o truque erótico preferido de David Cardoso é ostentar o seu pau duro e solenemente inclinado para a direita por debaixo de uma cueca branca, que vai se tornando progressivamente transparente à medida que suas parceiras entusiasmadas lambem-na. Sem querer ser muito subserviente, receio admitir que este truque me excitou deveras. Da próxima vez que eu praticar sexo oral, estarei lá lambendo a roupa de baixo da pessoa em pauta (risos). É bom, sou fetichista!

Wesley PC>

6 comentários:

tatiana hora disse...

eu sou o contrário.
sofro de amor de pica kkkkkkkk

Americo disse...

fuscãooo pretoooo! noite muito produtiva no âmbito do cinema nacional! mesmo!

Pseudokane3 disse...

Talvez eu sofra dos dois amores...
Mas o tal "amor de pica" é bem mais fácil de se conseguir.
Afinal de contas, tenho uma em mim, né?

E, sim, Americozinho, noite bastaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaante produtiva. Eu quero é mais! David Cardoso que me aguarde (kkkk)

WPC>

Renison disse...

Geeeente David Cardoso é muuuuuuito putão!

Nina Sampaio disse...

Rapaz, uma das sessões impagáveis. Mas, Fuscão Preto resgatou o sentido da noite. A cena de Xuxa caindo..Uh! Que peça do cinema nacional!
Quanto aos amores: juntos sempre ou separados: amo-os.

RONNIE MILLET disse...

queria pegar uma picona dessa!