quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

EU CHEGUEI ATÉ AQUI?

Acabo de ser sabatinado por um trio de professores no que tange à adequação de meu projeto a uma dada linha de pesquisa de Mestrado. Segundo eles, o tema que eu desejo estudar (a pornochanchada brasileira) não tem a ver com o que eles ofertaram à comunidade. Apesar de ter obtido nota máxima na prova escrita, corro o risco de ser desclassificado por inadequação teórica ou algo parecido. Se alguém inventar a outra vida, eu imito o alter-ego do Tom Zé e invento a resignação. Minha co-orientadora psicanalítica disse que eu deveria ser firme sem ser arrogante e flexível sem ser subserviente. Creio ter falhado em todas as exigências: gaguejei, me rendi, equivoquei-me fortemente no que tange à adesão ao método feyerabendiano de pesquisa, desperdicei meu tempo, minhas angústias, a atenção alheia, a confiança depositada, a vontade de continuar, ponto de interrogação. Ter esperança é algo perigoso. Ser impotente também. Desistir antes do tempo mais ainda. Desistir em qualquer momento mais ainda! Desistir não pode. Desistir não. Desistir...

Wesley PC>

OFICIALMENTE, ESTOU INDO DORMIR!

Gosto muito de pastéis de queijo. Como meu colesterol é alto, sempre que exagero no consumo desta fritura, ingiro uma maçã em seguida. Atenua a azia subseqüente. Hoje à noite, enquanto lia um artigo de Wilhelm Reich sobre as características desviantes do homossexualismo e sua inexistência nas sociedades primitivas que fazem uso da sexualidade livre, comi mais de 10 pastéis. Não tinha maçã em minha casa e, como substitutivo gastro-higiênico, ingeri uma banana. Não funcionou: estou com azia!

Tentei diminuir os efeitos incômodos desta azia tomando água, muita água. No chão do banheiro, minhocas crescem. Talvez haja um ninho de ratos debaixo de minha estante de CDs. Tentei baixar um disco de música ‘pop’ pela Internet e me deparei com o aviso do FBI mostrado na imagem anexa a esta postagem. Minha mãe, meu irmão e meus cachorros dormem nos quartos e, enquanto tudo isso acontece, tento memorizar o trecho de um livro coletivo chamado “Economia da Arte e da Cultura”:

“A indústria cultural é uma área da produção social no capitalismo avançado que deve cumprir uma dupla condição de funcionalidade, a serviço do capital individual monopolista em concorrência (função publicidade) e do capital em geral, ou do Estado (função propaganda), servindo como elemento-chave na construção da hegemonia. Para isso, deve responder também a uma terceira condição de funcionalidade (função programa), ligada à reprodução simbólica de um mundo da vida empobrecido em suas condições de autonomia” (César Bolaño – “Economia Política da Comunicação e da Cultura: Breve Genealogia do Campo e das Taxonomias das Indústrias Culturais” – 2010 – página 45.)

Se eu conseguir repetir isto, do jeito como foi escrito, talvez eu seja feliz às 9h40’ desta quinta-feira. Se eu não conseguir, concordo com o que foi escrito: não há como refutar a veracidade intelectual manifesta através de um aguçado ponto de vista!

Wesley PC>

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

“É MESMO UMA MERDA ESTA DEMOCRACIA: ATÉ PUTA ACHA QUE PODE TER DIREITOS!”

“Cuidá dum pé de milho
Que demora na semente
Meu pai disse: ‘meu filho, noite fria, tempo quente’

Lambada de serpente
A traição me enfeitiçou
Quem tem amor ausente já viveu a minha dor

No chão da minha terra
Um lamento de corrente
Um grão de pé de guerra
Pra colher dente por dente

Lambada de serpente
A traição me enfeitiçou
Quem tem amor ausente já viveu a minha dor”

(“Lambada de Serpente” – Djavan)

A canção acima estará eternamente associada ao filme cujo quadro de abertura é mostrado na fotografia. Em comum, filme e canção têm o fato de terem sido lançadas exatamente no mesmo ano: 1980. Não fiz esta associação propositalmente. Ouvi o disco “Alumbramento”, do qual a referida canção faz parte, inúmeras vezes antes de a sessão do filme começar. Terminado o filme, fiz questão de novamente ouvir o disco. Um compasso de melancolia une ambos os produtos artísticos, bem como algumas das intenções espectatoriais que eu aqui destaco. “Rapaz, melancólico, mas bom sim. Valeu a dica”: escreveu-me um amigo de trabalho ao final do filme. Por dentro, eu sorria: é um mundo injusto, mas cabe a nós enfrentá-lo”!

No filme, uma rapariga de nome Encarnação chega ao bordel titular onde trabalha a sua mãe Dolores. Neste local requintado, os desejos e taras bizarras dos clientes são a prioridade satisfatória. Uma das prostitutas é noiva. Outra delas é crente. Uma terceira finge-se de colegial. Todas juntas resolvem declarar greve quando se sentem exploradas pela patroa. Encarnação tem sua virgindade leiloada como solução para o conflito de interesses políticos básicos ostentado pelo extraordinário roteiro do diretor Ody Fraga. E, por dentro, eu sorria... Meu amor ausente se fazia presente na janela de minha imaginação refletida!

Wesley PC>

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

UMA PEQUENA VITÓRIA, UM GRANDE MERGULHO: “OS MENORES PRECISAM SER MEDIDOS”!

Nesta tarde de terça-feira, recebi uma notícia maravilhosa: estive entre os 15 selecionados para a fase seguinte de um processo seletivo para Mestrado que muito me interessa. Faltam ainda duas etapas e há a possibilidade de eu não ser exitoso, mas estou satisfeitíssimo por ter galgado este primeiro degrau. Foi como se eu tivesse sido bem-pago pela tentativa. Desde já, portanto, agradeço!

Imbuído deste sentimento mútuo de contenteza por ter sido aprovado na primeira de três etapas e, ao mesmo tempo, apreensão pelas exigências vindouras, assisti a um belo filme mexicano que metonimizava bem o que eu estava a sentir: “Ao Mar” (2009, de Pedro González-Rubio). Não conhecia nada, absolutamente nada sobre este filme. Sequer sabia que o mesmo seria exibido. Liguei a TV no primeiro canal e lá estava ele, sinalizando para mim. Não me arrependi nem um pouco de ter reagido positivamente a este sinal: o filme é absolutamente encantador!

Na trama do filme, um pescador mostra a seu filho de cinco anos, que vive com a mãe italiana, a rotina de seu trabalho diário. Mergulha com ele num local entulhado daquilo que chamamos natureza: corais, caranguejos, garças, crocodilos, seres humanos, lagostas, peixes de todas as espécies. Tudo interage com pai e filho, que também respondem com interação. O pai, entretanto, é pescador: mata peixes e os descama, mas o faz de forma tão deferente e respeitosa que as leis que regem a cadeia alimentar (refogada pelo capitalismo infelizmente circundante) parecem compreender, justificar, defender e validar as suas necessidades sobrevivenciais. E o filho aprende, aprende muito. Aprende porque deve selecionar as lagostas maiores antes das menores e como se faz para atrair a atenção de uma garça sem assustá-la. Aprende a amar um pai que não vê há algum tempo. Aprende que homem e meio ambiente não se anulam, como fazem pensar alguns esbanjadores alegadamente progressistas. E faz questão de compartilhar tudo conosco, que penetramos no filme através de uma câmera magistralmente documental. Fiquei apaixonado pelo filme: era como eu me sentia!

Wesley PC>

DA ARTE DE FAZER PLANOS E SOBREVIVER A ALGUNS DELES!

Ontem à noite, eu havia marcado para ver um filme antigo (e erótico) do Paul Verhoeven com um amigo progressivamente interessado em sexo. A nova namorada dele – que eu ainda não conheço, apesar de terem transcorrido mais de três meses desde que ele se tratam como “meu amor” – precisou que ele fosse buscá-la num determinado lugar e ele me telefonou, protelando nossos planos. Ao invés de ver o filme, portanto, algumas horas depois do telefonema eu me vi ajoelhado diante de um rapaz que usava uma grossa bermuda ‘jeans’ enquanto assistia a uma série animada televisiva no computador. Adaptar-se aos novos planos faz parte da vida (e das teorias de Edgar Morín também)!

Em dado momento da minha noite de ontem, fui dominado pelo receio de incomodar o meu interlocutor assimétrico quando eu beijei o seu couro cabeludo com o rosto embebido de seu sêmen. Temi que ele se incomodasse em ser melado com seu próprio colóide orgástico, visto que não pude sorver todas as gotas que ele ejaculou. Algumas foram derramadas sobre suas ancas e, ao invés de eu lambê-las com fúria desejosa, preferi esfregá-las em minha face, com uma fúria ainda mais desejosa. De certo modo, eu o amava. Do modo certo, eu o amava. Como se houvesse um modo certo no que tange ao amor. E pensar que, minutos antes, eu lia um vitupério do filosofo de “auto-atrapalhação” Luiz Felipe Pondé contra o amor respeitoso, dizendo que isso vai de encontro ao que se realmente se sente: quem disser que ‘amar é querer o bem de quem ama’ é porque nunca amou. Amar é querer o outro para si ou querer que o outro deixe de existir. Isso é ‘querer comer’ o outro”, diz o filósofo, que, mais tarde, num mesmo artigo, acrescentaquando amamos e desejamos alguém, violamos”. Eu obviamente discordo radicalmente de tudo isso. Eu amo e respeito o outro e sinto como já tivesse amado sim. Ponto.

Não cheguei em casa tradicionalmente satisfeito (no sentido organicamente provisório do termo), como sói acontecer em situações similares envolvendo o mesmo rapaz, porque contingências cronológico-familiares obrigaram-me à subsunção derradeira de uma masturbação feroz e quase técnica, não obstante também provida de paixão, desejo e “amor respeitoso”. Eram novos planos. Hoje eu tenho outros: o meu amigo vai quererá ver o filme de ontem, mas, como é aniversário de sua filha pequena, preferirei que ele esteja com ela. Na TV, será exibido “Palácio de Vênus” (1980), filme de meu divo roteirístico Ody Fraga que ainda não vi. Meus planos hoje são diferentes – e, ao mesmo tempo, tão parecidos...

Wesley PC>

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

FALTA O DEDO INDICADOR!

Acabo de me emocionar ao rever a cena mais famosa do clássico “Paisagem na Neblina” (1988, de Theo Angelopoulos). Emocionar-me de verdade! Quase chorei, juro! As lágrimas chegaram às fronteiras de meus olhos. Não apenas porque o filme é lindo, porque a trilha sonora é soberba, porque me identifico com aquela busca e aquele abandono, mas porque doeu forte saber que o diretor deste filme maravilhoso morreu na última terça-feira, 24 de janeiro de 2012, aos 76 anos de idade. Não de velhice ou de complicações relativas a qualquer doença. Morreu atropelado por uma motocicleta. E um gênio se foi. Parece até cena triste de um de seus filmes. O que, definitivamente, não serve de consolo...

Wesley PC>

domingo, 29 de janeiro de 2012

UMA NOVA (E DELETÉRIA) MUDANÇA ESTRUTURAL DA ESFERA PÚBLICA?

Conforme anunciado anteriormente, saí de casa para ver um bom filme na casa de um amigo e, quando retornava para o meu lar, encontrei um amigo que não vi faz tempo num terminal de ônibus. Conversamos sobre estresses pós-traumáticos, maconha associada a antidepressivos e, quando ele viu que eu estava com o livro “Economia Política da Internet”, do César Bolaño, nas mãos, perguntou como eu traduzia os ensinamentos adornianos para o contexto contemporâneo de explosão tecnológica. Respondi-lhe que, coincidentemente, esse era o tema do livro e debatemos sobre o assunto até que meu ônibus finalmente chegou e eu fui para casa.

Ao chegar, sou informado por minha mãe que o botijão de gás acabou. Comi um parco prato de comida gelada e sentei-me no sofá para estudar um pouco sobre o conceito habermasiano de “mudança estrutural da esfera pública”. A TV estava ligada e, como eu não queria prestar atenção em nada, deixei num canal-mosaico disponibilizado pela Via Embratel, que apresentava quatro câmeras simultâneas do programa Big Brother Brasil 12, exibido pela TV Globo e, obviamente, não assistido por mim. Volta e meia eu punha os olhos na TV e algo me chamava a atenção: fiquei assistindo ao desenrolar do tal programa até as 3 horas da madrugada. Cabem, portanto, algumas confissões sobre a minha ambígua e problemática relação com este programa.

Ao contrário de alguns intelectuais esbravejantes, eu evito me desgastar em vitupérios contra o programa. Condenável em sua essência e proposta, tenho uma raiva muito pessoal e direcionada contra ele em razão de seu estímulo hipócrita, comercial e setorial a alguns aspectos da escopofilia que, noutros contextos sociais não-midiáticos, são fortemente condenados. Sinto-me particularmente traído sempre que vejo alguém assistindo a este programa e irritado quando eu admito que espiono as pessoas tomando banho, por exemplo. Ou seja, apesar de detestar o programa, eu sou um de seus espectadores ideais, visto que sinto a necessidade de observar o comportamento alheio na integralidade de seus tempos mortos, inclusive. Como admito este paradoxo espectatorial o tempo inteiro, prefiro calar-me no que tange às obvias opiniões depreciativas sobre o mesmo. Até que me vejo refém da audiência como fiquei de ontem para hoje!

Conforme dito, fiquei acompanhando alguns lances do programa até as 3 horas da madrugada. Acordei às 9h e o meu primeiro impulso foi ligar a TV no mesmo canal para saber o que estava acontecendo. O canal-mosaico em pauta não faz parte do meu pacote de TV por assinatura, mas está liberado neste final de semana, a fim de liberar ou recriar tentações como esta que confesso agora. Jamais me atreveria a pagar por isso. Não porque eu não goste (abre e fecha aspas póstumas neste termo), mas porque, insisto, me sinto traído pelo conceito e pela execução do programa. Nos episódios conferidos durante as minhas três (ou mais) horas de audiência, pude sentir isso na pele: estava acontecendo uma festa. Diversos participantes paqueravam-se e rejeitavam-se entre si. Um deles estava enlouquecido por uma dada mulher, que, depois de dançar com ele por muito tempo, foi dormir, desdenhado de sua atenção erótica. Ele bate na porta do quarto dela, tenta convencê-la a conversar com ele, mas ela quer dormir. Ele fica emputecido de raiva, sai xingando-a em alto e bom som (“filha de uma puta. Quem ela pena que é para mandar em mim?”) e se despe com violência. Fiquei animado (“ôba, vou ver um homem nu na TV!”), mas, de repente, nenhuma das quatro câmeras se dispôs a filmá-lo se despindo. A transmissão da imagem de seu quarto foi interrompida abruptamente e, de repente, duas das quatro câmeras mostravam exatamente o mesmo ponto de vista de outro local, onde outros participantes conversavam sobre futilidades do jogo. Momentos depois, uma câmera volta a acompanhar o tal participante, quando ele volta a bater no quarto da mulher dorminhoca, que desta vez consente em deixá-lo entrar. Conversam por alguns instantes, deitam-se, ela dorme, ele sai da cama, senta-se no chão (apenas de cueca), chora um tanto e, cinco minutos depois, enfia a mão em sua cueca, com o evidente intuito de masturbar-se e desafogar a sua fúria excitada. De repente, uma estridente campainha soa e interrompe tanto o ato dele quanto o sono dela. Foi aí que eu percebi: masturbação é proibida no programa!

Noutra situação, um dos participantes urina de porta aberta enquanto conversa com uma amiga, que o observa durante o ato. A campainha soa novamente, chamando a atenção deles. Ela percebe e comenta a proibição, de modo que ele fecha a porta com rapidez. A pseudo-naturalidade que é vendida no que tange a esta versão “fechada” do programa, em contraposição à montagem ficcional da versão em TV aberta, é puramente falaciosa. O programa é nojento, séptico, disfuncional, prejudicial, abominável em mais de um sentido. Mas, ainda assim, eu me via atraído por ele. Fiquei preocupado com isso, inclusive, por admitir isso e insistir nisso. Despertei e fui ler um pouco mais sobre a mudança estrutural da esfera pública no final do século XVII, tentando comparar as alegadas limitações teóricas da tese de Jürgen Habermas com as manifestações hodiernas do mesmo problema, em que a diluição das fronteiras discursivas entre público e privado deixa de ser um potencial fórum de debate crítico-racional para se render, com a comercialização maciça dos (produtos dos) meios de comunicação de massa, a apenas mais um domínio de consumo cultural, esvaziado de suas possibilidades societais e históricas mais amplas. A esfera pública de hoje é burra! E eu, em vez de estar dormindo, estava alimentando-a, dando-lhe trela, pervertendo-me. Assumo a minha culpa como componente gnosiológico-estatístico, portanto!

Wesley PC>

sábado, 28 de janeiro de 2012

“DEVO, NÃO NEGO. PAGO QUANDO PUDER”

Por causa da prova universitária a que me submeterei na segunda-feira pela manhã, pensei em deixar meu telefone celular desligado neste fim de semana, a fim de não ser “tentado” por convites que me afastem da dedicação estudiosa obsedante. Depois que uma colega de trabalho me convidou justamente para sair com ela e estudarmos juntos para a referida prova, repensei a minha decisão e deixei o celular ligado, não obstante permanecer firme na obrigação de reler e fichar os textos-base requeridos para a tal prova. Eis que me surge um convite: fui convidado por alguns amigos íntimos e muito queridos para vermos juntos “O Artista” (2011), filme do francês Michel Hazanavicius que está obtendo um impressionante sucesso de público e crítica depois que foi indicado a 10 prêmios no Oscar deste ano. O detalhe: o filme é mudo e em preto-e-branco. Conclusão: eu preciso ver este filme!

Não sei se é necessário acrescentar ao parágrafo anterior que, na verdade, eu mesmo me convidei para ver este filme entre amigos. Estou ansioso para saber como o diretor do filme, do qual ainda não assisti a nenhuma das obras precedentes, conseguiu dignificar um gênero em extinção no cinema: a comédia muda. Apesar de o ‘trailer’ ser empolgante, ao mesmo tempo os vislumbres da trama parecem meras repetições de filmes clássicos como “Cantando na Chuva” (1952, de Stanley Donen & Gene Kelly) e “A Roda da Fortuna” (1953, de Vincente Minnelli). O que, mais uma vez, dota o filme de interesse: como o diretor conseguiu reverenciar os filmes da “era de ouro” hollywoodiana num contexto cultural em que a perda da historicidade é quase uma regra? Estou curioso para saber. Empolgado também, mas muito mais inquisitivo e curioso. Por este motivo, creio que seja hora de tomar banho e preparar-me para a sessão. Depois eu volto com outro assunto: neste fim de semana, estarei tenso demais por causa da prova vindoura. É nessas horas que eu percebo o quanto sou estandardizado!

Wesley PC>

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

O SILÊNCIO FOI A PRIMEIRA COISA QUE EXISTIU...



...E uma das poucas a permanecer depois que acaba!




Wesley PC> (como se fosse triste, sôfrego, cansado, ansioso, temente a Deus)

“FINGEM DIZER UMA COISA E DIZEM OUTRA, FINGEM SER FRÍVOLAS, MAS, AO SITUAREM-SE PARA ALÉM DO CONHECIMENTO DO PÚBLICO, REFORÇAM O ESTADO DE SERVIDÃO.”

Assim proclamam Theodor Adorno e Mar Horkheimer , acerca dos produtos da Indústria Cultural, na canônica obra literária “Dialética do Esclarecimento”, publicada originalmente em 1947, que firmou definitivamente as bases do que hoje conhecemos como Teoria Crítica da Escola de Frankfurt. Complicado para mim ler algo tão determinista e prenhe de razão como isso e, ao mesmo tempo, sentir um mínimo de prazer durante a audiência de “Glee 3D – O Filme”, dirigido em 2011 por Kevin Tancharoen. Trata-se de um paradocumentário sobre os bastidores de uma turnê do concerto promovido pelos personagens do seriado televisivo “Glee”, do qual apreciei deveras a primeira temporada, achei mediana a segunda e, por ora, não me disponho ou sinto interessado a ver a terceira. Baixei o sétimo volume dos discos com a trilha sonora da telessérie na noite de ontem, por mera convenção de fã quase desistente e, por mais que eu admita o quão esta série é deletéria em seus intuitos comerciais (que ficam ainda mais evidentes no documentário), não consigo deixar de me identificar ou emocionar com uma ou outra passagem dalguns episódios. Gosto dos personagens: isso talvez não tenha cura imediata!

Além de mostrar os bastidores do concerto, “Glee 3D – O Filme” também se dedica a contar as estórias de vida dalguns fãs inveterados cujas vidas foram “mudadas” pelo seriado: um homossexual adolescente que se sentiu confiante para assumir a sua pederastia depois que um dos personagens da série fez algo parecido; uma jovem gorda e portadora de Síndrome de Asperger que passou a cultivar um ciclo de amizades direcionadas depois que a série estreou; e uma anã que vence o concurso de Rainha do Baile na cerimônia de formatura de seu colégio. Histórias superficiais de vitória e superação que só denotam a verve auto-ajudante do seriado, no sentido mais criticável do termo. Eis o que mais me incomoda na terceira temporada do mesmo, aliás. Ao invés dos conflitos e dilemas envolvendo os romances não-correspondidos de outrora, estes episódios mais recentes centram-se em dramas pretensamente mais “adultos”. A maioria dos amigos que também apreciam o seriado está apreciando bastante esta nova fase, enquanto eu particularmente estou desgostando. Evitando, até! Queria eu que fosse pelos motivos frankfurtianos que intitulam esta postagem, mas não sei se é apenas por isso. Derrotismo na tela é algo que vicia, no plano da identificação, e, nesse sentido, não estou sendo mais retroalimentado. Por isso, os defensores da teoria culturológica que se seguiu à teoria crítica têm também razão ao promulgarem que “até mesmo a estandardização precisa de originalidade”. A derrocada hodierna de “Glee” é uma demonstração cabal desta assertiva!

Wesley PC>

DE COMO PARECE QUE EU SEI PROTELAR AS MINHAS EMOÇÕES...


Para Décio (onde quer que haja um).

Há poucas horas, fui alvo de grande emoção ao abrir a minha caixa de ‘e-mails’: deparei-me com uma maravilhosa montagem imagética, que combinava uma fotografia minha a um desenho magistral do pintor recifense Vicente do Rego Monteiro. Fiquei tão lisonjeado com esta homenagem que me senti imediatamente compelido a redigir um texto de agradecimento. Por outro lado, eu sentia fome e argüia comigo mesmo que talvez fosse conveniente esperar um momento mais adequado para devolver o favor. Aí eu liguei a TV e me deparei com um filme canadense incensado. Apesar de um tanto sonolento, assisti a “Não Sou Eu, Eu Juro!” (2008, de Philippe Falardeau) e não gostei tanto quanto a maioria das pessoas... É normal, acho!

Logo no início do filme, um garotinho de 10 anos acidentalmente tenta se enforcar. Perdi esta cena, mas logo me deparei com situações inusitadas de deslocamento familiar, em que sua mãe o ensina um lição fundamental: “é ruim ter de mentir, mas pior é mentir mal!”. Numa cena posterior, o menino pede que uma amiguinha fique sem calcinha, a fim de que ela possa empinar sua pipa. Pena que ele era insuportável, senão eu me identificaria com ele. Mas ele não quis isso, nem o filme, não sei se por (falta de) talento do diretor – que brincava com um distanciamento aproximado, do começo ao fim, graças á direção de fotografia sumamente estilizada de sua obra – ou por preguiça emotiva de minha parte, que hesitava em me emocionar com uma estória que fazia apologia à amoralidade infantil enquanto recurso de sobrevivência a um divórcio complicado. É um filme triste e engraçado. Só não funcionou comigo!

Após lamentar-se diversas vezes, perguntando a si mesmo o que fez, por que insistiu em errar, o protagonista do filme, Leon (corajosamente interpretado pelo pequeno Antoine L’Écuyer), tenta, afinal, suicidar-se novamente, pondo sua cabeça na trajetória de uma bola de boliche. Imagina-se conversando com sua mãe, na Grécia, comentando com ela sobre a beleza de um céu azul. E, nesse instante, diante do logotipo do canal Futura, eu me imaginava perguntando a mesma coisa a um rapazola de Paripiranga, cidade do interior baiano, enquanto imagina como faria para agradecer sutilmente a um correspondente virtual de nome Décio pela belíssima homenagem, a qual será postada neste ‘blog’ (e em muitos outros lugares) muito em breve. Na falta de palavra melhor, de demonstração mais fecunda de que, apesar de protelada, emoção é, ainda, emoção, eu repito o que sinto gritando OBRIGADO!

Wesley PC>

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

ATIVAÇÃO --> REFORÇO --> CONVERSÃO: O ESQUEMA SEMINAL REITERADO DOS ANSEIOS EJACULATÓRIOS DA CINEFILIA PARA-FORMULAICA:

Os pôsteres húngaros para o filme “Shame” (2011, de Steve McQueen), concebidos pelo artista Márton Kenczler, causaram polêmica por causa da exposição desmedida de elementos eróticos que metonimizam o caráter sexual vicioso do filme. Ainda não vi o filme, mas estou ansiosíssimo (ainda que um tanto apreensivo) para conferir esta nova parceria entre o diretor britânico Steve McQueen e o talentoso e musculoso ator Michel Fassbender. Ambos já haviam me impressionado deveras no filme anterior, “Fome” (2008), sobre as conseqüências (auto)destrutivas da prisão de um militante do IRA (Exercito republicano Irlandês) e agora escolheram como tema a (auto)destruição decorrente da subsunção exacerbada ao sexo. Na sinopse do filme, fala-se sobre o desconforto que o protagonista sente depois que é obrigado a dar guarida a sua irmã desestruturada, o que já antecipa um contexto incestuoso que muito me interessa. Para além do sobejo justificado e estruturado de seqüências dramáticas de nudez total masculina, o que mais me chamou a atenção no deslumbrado material de divulgação do filme é o anúncio de uma situação envolvendo um constrangedor flagrante de masturbação. Ainda não há previsão oficial de chegada do filme ao Brasil (fevereiro, talvez), mas, desde já, sinto-me deveras ansioso em convencer a mim mesmo que talvez o filme não seja hipocritamente imbuído dos julgamentos moralistas que abundam quando o cinema hollywoodiano se dispõe a tratar de temas similares. Os currículos conceituados (e, felizmente, desavergonhados) da equipe técnica inglesa do filme me enfeitiçam aprioristicamente numa direção contrária. E, antecipando latejantes reações genitais ao filme, eu repito para mim mesmo: tomara...

Wesley PC>

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

A SOLIDÃO É CARCINOGÊNICA E O MUNDO NÃO É JUSTO...

"A infelicidade não consiste em que os amantes não possam ficar juntos, mas em que não consigam compreender-se. Essa aflição é afinal inteiramente mais profunda que aquela da qual as pessoas falam; pois uma tal infelicidade visa ao amor e fere para a eternidade, ao inverso da outra, que não nos atinge senão no exterior e por um certo tempo, e que para as almas generosas não é senão uma brincadeira, como o fato de os amantes não se unirem no tempo.”

O excerto literário faz parte das “Migalhas Filosóficas” de Soren Aabye Kierkegaard. A imagem acima pertence ao filme “Beleza Americana” (1999, de Sam Mendes), que não revejo faz um bom tempo. Vi este filme duas vezes no cinema e, à época, surpreendi-me deveras com o modo audacioso com que ele associa a masturbação matinal do enfadado protagonista ao melhor momento do seu dia. Se eu revisse o filme hoje, tenho certeza de que me incomodaria deveras com o seu conservadorismo. E o mundo é injusto, como disse há pouco um rapaz gracioso que trabalha comigo. Sou desses que amam e esperam. Ponto.

Wesley PC>