sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

“CORPO E ALMA DE MULHER” (1983, DE DAVID CARDOSO)

Recentemente, tive a honra de utilizar o espaço deste ‘blog’ para manifestar meu espanto e adesão positiva aos clássicos da pornochanchada brasileira e, particularmente, às incursões directivas do canastrão David Cardoso (vide textos elogiosos 1 e 2). Na madrugada de ontem para hoje, graças às majestosas exibições do programa "Como Era Gostoso o Nosso Cinema", no Canal Brasil, vi mais um de seus filmes - este que cognomina esta postagem - e desgostei do mesmo. Por que desgostei? Primeiro, porque as situações dramáticas que saciam a necessidade de sexo constante são menos cômicas e/ou eróticas que o habitual, estando subsumidas ao clichê da mulher paralítica que não mais consegue excitar o marido adúltero; segundo, porque David Cardoso atua de forma ainda mais insossa do que noutros filmes anteriores, em que sua insipidez interpretativa era compensava por seu vigor peniano; e, terceiro, porque o roteiro de Ody Fraga é defeituoso mesmo, desperdiçando boas chances de ser um filme mais interessante se valorizasse prioritariamente os desmazelos morais da enfermeira embrutecida pelo tempo e pela profissão que é interpretada por Helena Ramos. Num momento mais tenso do filme, a esposa do protagonista pede que a enfermeira a envenene, acabando com a sua “vida de inválida incapaz de saciar os desejos carnais do marido”. As reações frias e emocionalmente clínicas da enfermeira tem muito a ver com o tipo de embrutecimento pessoal que me acomete enquanto trabalhador burocrático sujeito diuturnamente às mentiras e caprichos dos alunos da UFS. Mas nada que me impeça de gemer de gozo diante do excerto literário de Clarice Lispector que serve de epígrafe ao filme. Não consigo encontrar aqui a citação completo, mas, ao final, o corpo era tudo o que nos restava...

Wesley PC>

Um comentário:

ADEMAR AMANCIO disse...

Ler sobre o rei David é muito bom,melhor seria se a crítica fosse elogiosa.