terça-feira, 5 de outubro de 2010

AS COISAS QUE EU NÃO SUPORTO, AQUILO QUE EU NÃO AGÜENTO...

Às 2h da madrugada de hoje, eu estava atônito. Tinha acabado de rever “As Horas” (2002, de Stephen Daldry) e é como se ele sempre estivesse lá, como se eu sempre tivesse vivido aquilo. E me deu tanta raiva. Porque é um filme lindo, mas me dá tanta raiva. Porque é um estranho elogio à tristeza, à melancolia, à depressão, como senão houvesse outro caminho... Mas é tão lindo! Talvez eu devesse entrar em um contato mais íntimo com Virginia Woolf... Talvez eu devesse ter mais cuidado com ela. Eu e meu amigo Américo planejamos ler “Sra. Dalloway” (1923), em inglês, a partir de sexta-feira. Eu e ele marcamos de ver o mesmo filme na noite de hoje. Eu e ele percebemos aspectos bem diferentes sobre o mesmo filme, mas eu e ele emocionaremo-nos sobremaneira. Este filme consegue!

O que mais me surpreende é justamente isto: este filme consegue! Ainda que ele seja disrítmico, ainda que eu ache o personagem de Ed Harris supérfluo, ainda que eu considere a diva Meryl Streep fora de tom aqui, ainda que padeça de uma depressão incomodamente esquemática, ele consegue! O ótimo argumento literário de Michael Cunningham, a trilha sonora deslumbrante de Phillip Glass, o olhar de perpétua amargura de Julianne Moore, os beijos lésbicos cheios de culpa e pecado, o tédio e o fastio esmagador, a vontade de se matar que não abandona o palco da vida... Que filme esmagador é este?!

Como é que eu posso dormir tranqüilo depois de ver uma coisa destas? Tem uma judia cantando algo em meu aparelho de som, mas a amargura ‘in crescendo’ daquelas mulheres e homens que protagonizaram este quase excelente filme, repleto de defeitos até a tampa, não me sai da cabeça... “Sempre encarar a vida de frente... E saber... e amar… Sempre os anos entre nós… Sempre o amor… Sempre, as horas”… Lindo! E terrível!

“Tenho que dormir!”: assim eu tinha pensado e escrito às 2h30’, enquanto aguardava o sinal de Internet voltar a funcionar e poder publicar este texto desconexo e clemente. Não deu certo. Tentei novamente às 7h da manhã de hoje, mas não deu certo. Aí eu emprestei o DVD para um menino bruto e bonito e este deu um parecer completamente diverso sobre o filme deste que eu tento agora explicar...

Wesley PC>

5 comentários:

Tiago de Oliveira disse...

acho que sem saber, amigo Wesley, entrou em contato comigo.

sobre isso, prefiro não escrever mais nada.

abraço carinhoso.

Americo disse...

the hours...

lucas procect disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Lucas Paião disse...

Digo que achei fantástico. Achei seu blog acidentalmente e não me arrependi de ter continuado a leitura. Escreves extremamente bem amigo Wesley

Pseudokane3 disse...

(risos)

Este texto é "desconexo e celemente", como eu disse... Isso porque é isso o que este filme faz conosco, sendo ele justamente coeso e clemente, a definição perfeita de esquematismo. Tentei encontrar algum 'blog' responsivo para agradecer o comentário do Lucas, mas não encontrei...

E, sim, Tiago, deixaste-me curioso.

E, Américo, amanhã começaremos "Mrs. Dalloway", não é?

Ansioso e temente...

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