domingo, 11 de abril de 2010

“ELOGIO DE BOCA PRÓPRIA É VITUPÉRIO”!

Já tive a oportunidade de estar a menos de 5 metros de distância do iraraense Antônio José Santana Martins, mundialmente conhecido como Tom Zé, na sala de reuniões da Reitoria da UFS, em 2001. Já assisti a dois concertos deste genial artista brasileiro, um deles fabuloso e o outro mediano, visto que tive problemas em digerir referencialmente o álbum de 2008 “Estudando a Bossa”. Mas nunca ousei chegar perto de admitir que ele é menos do que extraordinário. Tom Zé é gênio ‘hors concours’!

Pois bem, tive hoje a oportunidade de ver o documentário “Fabricando Tom Zé” (2006, de Décio Matos Jr.), sobre uma turnê que o artista realizou pela Europa em 2005 e, dentre vários eventos importantes, envolveu-se numa briga com um arrogante técnico de som suíço, que me fez relembrar uma situação particular em que um querido professor meu, Caio Amado, das Ciências Sociais, praticamente expulsou o ex-vice-governador de Sergipe, José Carlos Teixeira, de uma sala de cinema porque este político atendera ao celular durante uma sessão inesquecível de um clássico de Robert Bresson. Aliás, meus amigos costumam desgostar do documentário, no sentido de que ele pouco acrescentaria a quem já conhece e venera o artista em pauta, mas eu achei-o muito digno justamente pelo que ele fez evocar: lembranças.

Enquanto Tom Zé passeava pelas cidades francesas e italianas em que se apresentou e comentava tudo com seu tom sardônico mui particular, eu revivificava mentalmente os maravilhosos passeios que fiz, ao lado de vários amigos homossexuais, pela cidade de Belo Horizonte, onde éramos confundidos com a fauna local mesmo quando não conseguíamos disfarçar nosso deslumbramento pela beleza urbana ambiental do lugar. Admito que as animaçõezinhas que eventualmente apareciam no filme para comentar as histórias de infância do cantor e compositor eram simplistas e que as entrevistas com Caetano Veloso e Gilberto Gil poderiam ser melhor exploradas, mas foi muito bacana acompanhar o processo de criação do excelente álbum “Estudando o Pagode/ Segregamulher e Amor” (2005), perceber o grau de interação entre o artista e os músicos mui competentes e divertidos de sua banda, e, principalmente, ser cúmplice por 89 minutos do relacionamento marital com a empresária Neusa Martins, com quem também já tive o orgulho de estar ao lado, no mesmo evento de 2001, quando vi e ouvi ela explicando ao marido quem era Lacraia (“um homossexual que se rebola vulgarmente na TV”), quando este alegou não conhecer tal figura ao ser interrogado por um universitário sobre o que ele achava de manifestações execráveis de “popularesquismo” como o MC Serginho da época. Achei linda a cumplicidade entre marido e mulher naquele dia e achei ainda mais linda hoje. Afinal de contas, um gênio merece estar bem-acompanhado. E quem discordar, que “vá pra porra!”.

Wesley PC>

Um comentário:

Leno disse...

Técnico de som é um problema em qualquer lugar do mundo rsrsrs.