domingo, 23 de novembro de 2014

EU TENHO VOCAÇÃO PARA CRÍTICO DE MÚSICA? – PARTE I: AS PROXIMIDADES

Na tarde de hoje, eu ouvi pela primeira vez o novo disco do grupo mineiro Pato Fu, “Não Pare Pra Pensar” (2014). Tinha relativas expectativas, já que sou um fã devotado da banda, mas não gostei muito do que ouvi. Na terceira vez, entretanto, já posso escolher uma ou outra faixa favorita, providencial...

 A abertura com “Cego para as Cores” é muito bacana, a voz suave de Fernanda Takai não decepciona. Mas há algo de descompassado entre o que ela canta e os seus colegas tocam. Pelo sim, pelo não, enviei a faixa para um amigo daltônico. Talvez a letra lhe diga alguma coisa (risos)...

 A faixa 02, “Crédito ou Débito”, segue o mesmo âmbito descompassado, que também se manifesta outras vezes ao longo do disco, como na faixa-título (04) e na derradeira música do álbum, “Eu Ando Tendo Sorte” (11). O ponto mais baixo do disco, sem dúvida, é a fulambenta “You Have to Outgrow, Rock’n’Roll” (07), interpretada pelo simpático John Ulhoa que, paradoxalmente, também é responsável pela melhor faixa do disco, a inesperada “Ninguém Mexe com o Diabo” (03). Tem tanto a ver com um amante fugidio, que a repeti inúmeras vezes, tornou-se a minha favorita!

 De perto, seguem a previsivelmente agradável regravação de Roberto Carlos, “Mesmo que Seja Eu” (10), a ressurreição colaborativa do cantor Ritchie em “Pra Qualquer Bicho” (09) e a calculada, telenovelesca e quase inoportuna em termos climáticos gerais “Um Dia do Seu Sol” (06), que parece irmã gêmea (no mau sentido vendável, inclusive) da quarta faixa do disco “Muito Mais que o Amor” (2013), do Vanguart, justamente nominada “Meu Sol”. São boas canções, mas parecem repetidas, desgastadas, enjoativas...

No geral, portanto, o disco não é ruim. Em nota, daria um 6,0 (seis), tanto quanto o fiz, arredondadamente, em relação à produção mazzaropiana que vi com minha mãe mais cedo [o simpático e equivocado “Zé do Periquito” (1960, de Ismar Porto & Amácio Mazzaropi)]. Na pior das hipóteses, veio num bom momento este disco mediano: tem a ver com necessidades diplomáticas de intervenções contra silêncios que me afligem. É um álbum profilático, eu diria.

Wesley PC>

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