domingo, 10 de fevereiro de 2013

“POR UM BOM CU, VALE A PENA PERDER A CABEÇA – ATÉ MESMO AS DUAS, SE FOR PRECISO!”

Perante as cenas iniciais de “Um Pistoleiro Chamado Papaco” (1986, de Mário Vaz Filho), eu precisava me conter para não exclamar – sozinho no quarto do meu irmão – que o filme era genial, com receio de incorrer num exagero atrelado à minha devoção intelectual pela Boca do Lixo paulistana. Terminada a sessão do ótimo filme, por mais que eu tenha me decepcionado com o sobejo de sexo explícito que surge por volta dos 50 minutos de projeção, ainda assim não consigo mais refrear o grito: por toda a sua verve paródica e pelos diálogos chulos afiados, este filme é genial!

Utilizando praticamente todos os temas famosos de faroestes clássicos (parece uma amostra daquele LP antológico chamado “O Melhor do Bang-Bang”), o início do filme apresenta o protagonista (vivido por Roberto Benini, que hoje trabalha nas situações envolvendo câmeras escondidas no programa “Topa Tudo por Dinheiro”, com Sílvio Santos) como um pasticho nacional do personagem-título do clássico ‘spaghetti’ “Django” (1966, de Sergio Corbucci). Tal qual aquele personagem, Papaco (com acento no U) veste-se de negro sob o sol escaldante do deserto e arrasta um caixão. É abordado por bandidos na estrada, mas fode todos eles (literalmente), utilizando a sua “pistola” de um modo diferente daquele que os faroestes clássicos nos habituaram. Numa das surpreendentes transas homossexuais do filme, um fora-da-lei analmente deflorado exclama: “é melhor tomar no cu em vida do que morrer com todas as pregas no lugar!”. Interrogado acerca do que arrasta consigo, Papaco propicia o seguinte diálogo:

“ – O que tu levas no caixão?
- Um monte de bosta.
- Quem é o cagão?
- Com certeza, não é o cu de tua mãe!”.

Esculhambei-me de rir não apenas com este diálogo como com a seqüência em que somos apresentados a Sapato, um dos supostos vilões do filme, mostrado chupando o pênis de um dos seus capangas. Quando é informado elo deflorado do início que Papaco está na cidade, Sapato diz que está ocupado, vira-se de costas para o seu capanga e profere, orgulhoso: “mire direito, pois agora tu vais comer o cu de um macho”. E eu chocado: uau!

Quanto mais o filme avançada, mais situações e diálogos envolvendo ânus se amontoavam, mas, felizmente, o filme não perdia muito tempo com fodas (pelo menos, descontextualizadas). Quando Papaco hospeda-se num ‘saloon’ que é também bordel, é obrigado a fazer sexo com quatro mulheres de uma vez só, mesmo afirmando que seu “negócio é outro”. Quando sabe que ele deixou as vaginas do quarteto de prostitutas assadas de tanto trepar, uma moça chamada Linda (à qual Papaco comentou que “não parece” quando soube o seu nome, mas que é "mulher até debaixo d'água", quando vocifera que, para ela, "rôla tem que ser de metro!") pergunta se ele realmente merece a fama que tem, ao que a puta descascada responde: “ele é um mestre da pica”. Escandalizada e surpresa, Linda se interroga: “mas ele não era viado?”. A réplica não poderia ser melhor: “o ato não apaga o fato”. Como é que eu nunca vi este filme antes? (gargalhadas altissonantes)

Contando com os eventuais membros coadjuvantes Chumbinho e Satã, este filme segue acumulando momentos antológicos de cinema escrachado cômico brasileiro, como quando o anão enfia um revólver no cu de Papaco e exige que ele vista uma calça assim mesmo ou o inusitado desfecho em que conhecemos o conteúdo do caixão que ele arrastava pelo deserto (dezenas e mais dezenas de vibradores) e, ao invés de isso justificar mais um tiroteio entre dois rivais negociantes (um homossexual e uma mulher lúbrica), o roteiro investe numa reconciliação entre os antagonistas, que dividem os lucros eróticos e o pagamento da mercadoria trazida por Papaco. Gostei muitíssimo do que vi: preciso recomendar este filme absolutamente hilário (e subversor, em seu forte conteúdo pederástico entusiástico) para mais pessoas! Quem diria? E pensar que este filme corresponde ao momento em que o cinema erótico no Brasil começa a entrar em franca e rápida decadência, por causa da subsunção à pornografia desalmada... Ainda houve tempo para últimos suspiros de fina ironia, como quando o protagonista é comparado, em sua mortalidade, a uma bomba atômica e à AIDS, quando ele exclama "esporro-me todo em ver-te" ao reencontrar um amigo (preciso adotar este lema em minha vida pessoal - risos), ou quando alegam que ele conseguirá facilmente “tirar o cu da reta” porque é o mocinho do filme: um grande “viva!” para a Boca do Lixo!

Wesley PC> 

2 comentários:

AmericoAmerico disse...

lol, nosssa, quero ver!

Gomorra disse...

É genial, Américo, te recomendo de pé (e com o pau duro) - KKKKKKKKKKKKKKKKKK


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