terça-feira, 2 de julho de 2013

O CU QUE É SUPRIMIDO NO TÍTULO ABUNDA NA TRAMA (E NA CONSCIÊNCIA MILITANTE)!

Em entrevistas recentes, o galã da Boca do Lixo paulistana David Cardoso declarou que nunca realizou nenhum filme ostensivamente pornográfico. Não obstante ele ser um dos mais ousados exibidores da genitália masculina na era em que a mesma era proibida de ser veiculada no Brasil, suas incursões directoriais pelos filmes com sexo explícito foram realizadas sob o pseudônimo Roberto Fedegoso. O mais famoso destes filmes, “Viciado em Sexo” (1984), sempre me chamou a atenção por causa de seu roteiro teleologicamente inusitado, que demonstra como um garotinho acostumado a foder com as galinhas do seu quintal apaixona-se por uma travesti chamada Pérola, visto que esta é a única que consegue fazer com que ele ouça barulho de sinos durante o orgasmo. A perspectiva enredística é mui similar à comicidade de “Garganta profunda” (1972, de Gerard Damiano), um dos representantes da famosa “santíssima trindade do pornô estadunidense”, mas o recorte eminentemente brasileiro (quase caipira) e a inusitada tomada de partido para-homossexual surpreenderam-me positivamente: deveria ter visto este filme antes! (risos)

 Os ângulos inusitados de pênis trêmulos, os diálogos forçados envolvendo a obsessão do protagonista pela sodomia (a ponto de ele considerar o ponto máximo de uma relação masturbar-se diante dos ânus de suas parceiras sexuais, enquanto exclama repetidamente: “ai, que punhetinha boa!”) e as surpreendentes e polêmicas cenas protagonizadas pelo filho do diretor, David Cardoso Jr., então com 13 anos de idade, que se exibe genitalmente para a câmera, são fatores que tornam este filme absolutamente singular no panorama cinematográfico mundial, além de ganhar pontos extraordinários pela sutil regravação do diálogo final do clássico cômico “Quanto Mais Quente Melhor” (1959, de Billy Wilder) no escandaloso desfecho feliz do filme, em que o protagonista aceita se casar com a sua amada bunduda, mesmo quando descobre que ela, na verdade, é um homem. Fiquei felicíssimo com tudo o que este filme me causou: dormi feliz ao refletir sobre a sua liberdade erotógena, num cotejo com a pudicícia ridícula dos filmes brasileiros recentes. Digo mais: gostei tanto do filme que, por precaução, estou controlando os elogios aqui, visto que eu posso estar hiperinterpretando as suas intenções discursivas. Mas, seja como for, é digno de nota alta e ereções tangenciais (além de algumas gargalhadas, claro), não obstante o protagonista Silvio Júnior ser péssimo. Muito bom o filme - mais que isso: sintomático!

Wesley PC>

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