quarta-feira, 26 de outubro de 2011

UMA APRECIAÇÃO TRANSVERSAL DA MÚSICA SERGIPANA OU “CARAMBA, COMO TEM COISA BOA POR AQUI E EU NÃO SABIA!”

Antes de qualquer coisa, uma explicação: apesar das aparências, a foto acima não foi proposital. O visor da máquina fotográfica que hoje possuo queimou e, como tal, não sei o que estou focalizando quando realizo um dado enquadramento. Seja como for, proposital ou não, a referida foto é bastante ilustrativa sobre a minha surpreendente satisfação diante dos talentos que desfilaram pela 13ª edição do festival de música sergipana Sescanção. Gostei muito do que vi, como um todo, juro!

Apesar de eu já ter confirmado a minha presença neste evento há alguns dias, somente hoje, ao descobrir que alguns amigos muito próximos também iriam, eu me senti afoito para estar presente neste evento, o qual eu divulgava como sendo muito relevante para se observar o que está sendo produzido, no terreno musical, no Estado em que eu e eles vivemos. E eu não estava sendo irônico ou publicitariamente submisso quando repetia este jargão não: realmente eu cria que os cantores e/ou compositores que se apresentaram naquele palco possuíam muito potencial para serem lembrados, daqui a alguns anos, como expoentes legítimos de uma tradição cultural legitimamente sergipana. Ponto continuando.

Para além do sobejo involuntário de gargalhadas que eu e meus amigos emitimos diante da involuntária verve sganzerliana da dupla de apresentadores do evento, eventualmente nos víamos agraciados por um ou outro momento cultural mais inspirado. Para além de alguns renitentes problemas técnicos, a apresentação de cada uma das dezesseis canções executadas e premiadas nesta 13ª edição do SESC é digna dalguma observação ou comentário pessoal, mesmo eu sendo leigo no que tange a conhecimentos musicais mais específicos. Espero que eu lembre da ordem em que as mesmas foram apresentadas:

• “Quase Primavera” (Alberto Silveira): faixa instrumental, executada de forma virtuosa e cativante, mas, infelizmente, muito prejudicada pela microfonia defeituosa que ameaçou solapar a apresentação do artista. Merece ser ouvida com maior atenção (e adesão) emotiva noutros contextos. Quem sabe eu não tenho sorte e não a reencontre por aí...;

• “Pedra dos Raios” (Heitor Mendonça): quiçá a minha preferida de todo o evento. Sei lá, algo na atmosfera sonora que emulava Os Mutantes, Secos & Molhados e congêneres nesta canção me emocionou, me pungiu. Tudo bem que muito do mérito da canção tem a ver com o ótimo suporte da banda convidada para acompanhar os artistas, mas, de coração, este Heitor Mendonça conhece todas as fórmulas (no bom sentido do termo) para me cativar musicalmente. Gostei mesmo, muito! Fiquei empolgadíssimo durante a execução: queria que a canção durasse mais, inclusive!;

• “Salve, Salve” (Deilson Pessoa): o artista parecia estar chapado no palco, se contorcendo em demasia, tentando se demonstrar empolgado com a letra de sua canção entusiasta e fantasiosa. Incomodou-se um pouco no começo, mas, do meio para o final, achei o resultado regular. Acho que, com outra canção, o artista se sairá melhor... Acho!;

• “O Olhar da Menina” (Lena Oliver): a cantora é minha amiga e, como tal, eu já conhecia o seu talento, mas ainda não tinha tido o prazer de ouvi-la cantando algo de sua autoria. Gostei do resultado, mas eu e minha amiga Ninalcira ficamos ainda mais contente com a ‘performance’ da artista, em homenagem a um artista plástico recém-falecido e conhecido, que com a música em si. O que não é nenhum demérito. Conforme eu fiz questão de anunciar numa mensagem de celular, Lena Oliver arrasou. Uhuuuuuu!;

“Mundo Hostil” (Cláudio Vilanova): a introdução dos locutores acerca da história da composição desta canção já me preocupou deveras no que tange à obviedade recomendativa e negativa desta letra, o que só piora com a vocalização à la Cazuza do compositor. Gostei não!;

“Satisfação” (Elvis Boamorte): nunca tinha escutado ou prestado muita atenção à banda da qual este artista é vocalista, nem me empolguei tanto com a ode aos ritmos centro-americanos dançantes em que esta canção se baseia, mas o intérprete é tão bonito e carismático que minha avaliação crítica imparcial está prejudicada. Ops!;

• “Uma Flauta no Choro” (Odir Caius): chorinho instrumental, com intérprete vestido de malandro carioca e tudo. É contagiante, mas não me fisgou não. Desculpa;

• “Corpo Invisível” (Carol Prudente): meu amigo Américo brincou comigo que a cantora é uma espécie de “Björk sergipana”, posto que ela gritava bastante durante a interpretação da canção, cuja letra era justamente sobre a necessidade de gritar. Fiquei absolutamente apaixonado pela cantora. Maravilhosa, maravilhosa, uma das melhores da noite! A canção não estava à altura do seu talento, mas é ótima mesmo assim! Quero ter o prazer urgente de ouvir esta Carol Prudente cantar mais e mais vezes. Fiquei fã, juro!;

• “Rima” (Celda Mota): “uma canção que brotou de um poema”, anunciou a apresentadora do evento. Sei, sei... A compositora foi acompanhada no palco por duas dançarinas muitíssimo mais empolgadas do que ela, que não conquistou meu afeto com as frases feitas deste poema cantado não... “Basta nascer para ser poeta”: quem sabe da próxima vez, né?;

• “Lágrimas de Trompete” (J. Gentil): homenagem de um brilhante músico a um amigo falecido, numa faixa instrumental melancólica e belíssima. Linda mesmo. Emocionante. Digníssima. Um primor. Glupt!;


“Maré de Peixe” (A Casa do Zé): Ninalcira demonstrou-se fã do grupo, que eu ainda não conhecia, e, de fato, a empolgação dela tinha sentido. Eu não gostei tanto quanto ela, assim de imediato, mas a homenagem a uma das mais famosas personalidades sergipanas, o nadador Zé Peixe, é muito bonita. Seguirei o conselho dela e buscarei mais sobre A Casa do Zé, inclusive no que diz respeito às belas vocalistas femininas (risos);

• “Náufrago” (Sérgio Lucas & Pedro Kelman): de longe, a pior coisa da noite! Quando o apresentador do evento disse que a letra desta canção tinha a ver com “um catastrófico fim de relacionamento, com conseqüências pessoais e financeiras”, eu e Ninalcira nos benzemos. Quando foi anunciado que o escritor Tcheco Milan Kundera era uma das inspirações dos compositores, nos trememos mais ainda. Quando o refrão “Kundera, pudera, quem dera...” foi pronunciado, eu não consegui conter o riso e a vergonha: Cristo rei, que escrotice (na falta de termo melhor, escrotice cai muitíssimo bem aqui!);

• “Uma Ruma” (Paulinho Só); ‘rock’ progressivo, de protesto, com versos fortes, ‘riffs’ contagiantes. Bacana. A ser reouvido com mais atenção;

• “Mirante do Universo” (Isaac R.A.): psicodélica e oniricamente leve, mas com um embalo ‘rocker’ bacana, esta canção faz pensar em Raul Seixas, Sérgio Sampaio e demais membros da Grã-Ordem Cavernista. Merece fazer sucesso. Tomara...;

• “Aquele Tempo” (Sílvio César Lima): pela atenção elogiosa demorada conferida pelos apresentadores, deve ser uma canção financiada por alguém diretamente relacionado à produção do evento. Um quarteto subiu ao palco, cantando em falsete uma letra que parece feita por pagodeiros evangélicos, nostálgicos com seus tempos de escola. Acho que a comparação é auto-suficiente acerca de minha apreciação pessoal, não é? Vale acrescentar que meus dois amigos foram embora durante esta apresentação...;

• e, por último, “Tá no Jogo é Pra Jogar” (DiConduta): um ‘rap’, com tudo de formulaico e aparentemente sincero que este ritmo tem a acrescentar. Não fez muito meu gênero não, mas também não é ruim. Gostei da energia do trio de cantores. Cabe prestar atenção noutro contexto, aliás... Ops!

É isso: gostei muito do evento, surpreendi-me positivamente com artistas que eu ainda não conhecia, chateei-me deveras com os microfones defeituosos, ri demais com as gafes da dupla de apresentadores, e, o melhor de tudo, estive muitíssimo bem acompanhado por alguns de meus amigos mais queridos. Sabendo-se de tudo isso, dá até para pensar que, de fato, a foto oblíqua e tortuosa que acompanha esta postagem foi proposital, não é? Pois não foi, mas é metonimicamente muito representativa acerca de minha apreciação geral positiva do evento. Sem contar que encho agora o peito e a boca de saliva orgulhosa para gritar: Sergipe tem música de qualidade, sim, senhor!

Wesley PC>

6 comentários:

estoyaquihereacola disse...

Sim senhor!

A Carol Prudente foi linda, e refleti sobre a homenagem da Oliver, foi linda também. No mais concordo em tudo, menos nas duas ou uma canção que perdi.

Que bacana, me senti num min país, exclusivíssimo, on de só nós podemos ter o conhecimento de saber o que é viver aqui... hehe

super orgulhosinho!

Ps.: Só achei alguns músicos formais demais nas vestes.... coisa de Sergipe, né? Saíram da repartição direto pra o teatro, hehe, só pode!

AmericoAmerico disse...

Sim senhor!

A Carol Prudente foi linda, e refleti sobre a homenagem da Oliver, foi linda também. No mais concordo em tudo, menos nas duas ou uma canção que perdi.

Que bacana, me senti num min país, exclusivíssimo, on de só nós podemos ter o conhecimento de saber o que é viver aqui... hehe

super orgulhosinho!

Ps.: Só achei alguns músicos formais demais nas vestes.... coisa de Sergipe, né? Saíram da repartição direto pra o teatro, hehe, só pode!

Pseudokane3 disse...

Ótimo detalhe este da vestimenta, Americozinho... mas a vestimenta do pessoal da banda lá atrás estava massa: aquele roxo-tesão vibrando (hehehehe)

E, puxa, sapatão ou não, aquele guri da Boamorte é ultra-"pegável" (hehehehe)

E quero a voz gemebunda desta Carol Prudente em minha vida. Ponto!

WPC>

AmericoAmerico disse...

Sim, sim, abanda tava nos trinques. agoooora entendi todo esse 'fuss' sobre o Elvis Boa Morte... haahauahau

Wedmo Mangueira disse...

Wesley, muito bacana o texto, cara! Mostrei-o a Heitor Mendonça (que, por acaso, é meu amigo e parceiro em algumas canções, não nesta, infelizmente rs), e ele ficou muito feliz com seus comentários...

E vc definiu de maneira precisa o quarteto que cantou a música "aquele tempo"... O mais tosco é que a música nem inédita era:Lembro-me que os caras cantaram essa mesma música na final de um festival de 2009 da Tv Atalaia... Tosco!

Abraço!

Debs Cruz disse...

Elvis parece irmão do "Perfeito"
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk