quarta-feira, 18 de maio de 2011

“SORRY, I’M A LADY”!

No domingo, assisti a um filme italiano sobre um jovem homossexual que tem receio de se confessar ‘gay’ à sua família burguesa depois que seu irmão mais velho faz algo parecido e é rechaçado pelo pai. Há pouco, vi um filme português em que um travesti tenta se suicidar depois que seu namorado se mata e, ao sobreviver, descobre que possui um simpaticíssimo sobrinho portador de síndrome de Down. Entre um e outro evento fílmico, uma colega de classe confessou-me que tenciona escrever um perfil jornalístico sobre mim, como parte de uma atividade valendo nota numa disciplina. Aí eu pergunto: o que eu teria a contar para o mundo, enquanto personagem? O quê? Ao invés de ficar subestimando o meu próprio potencial enquanto chamariz personalístico, assumo aqui que estou livre para responder ao que quer que ela me pergunte... Pode ir em frente, Vanessa: enfrente o personagem!

Voltando a um tema sub-reptício comum a ambos os filmes citados no parágrafo anterior, temo aqui ser enquadrado numa categoria sexualista obviamente configurada. Antes de nos despedirmos, minha colega de classe perguntou se eu era religioso. Respondi que sim. Se ela me perguntar se sou virgem, direi que “sim” também? Quem sou eu? Qual seria meu “Rosebud”, palavra começada com R, que me leva a tantos outros R’s recorrentes em minha vida... R de Reinaldo, R de Rafael, R de Ramon, R de um monte de coisa! No primeiro filme, irritei-me deveras com os amigos afetados do protagonista, que, num momento-chave, dançam a canção-título desta postagem numa praia (vide foto). No segundo filme, emocionei-me com a dedicatória que o transformista faz a seu sobrinho, sentado orgulhoso na platéia. Entre um e outro, eu estou aqui!

O segundo dos filmes citados chama-se “A Outra Margem” (2007, de Luís Filipe Rocha) e, num momento anterior, fez um amigo chorar. O primeiro dos filmes chama-se “O Primeiro que Disse” (2010, de Ferzan Ozpetek) e, de uma forma diferente, fez outro amigo chorar. Entre um e outro filme, será que eu chorei também? Sei que eu sorri, sorri bastante. Tenho que ser forte. Forte tem um R bonito bem no meio...

Wesley PC>

2 comentários:

L. Icchelus disse...

Eu queria poder comentar todos os seus posts, para talvez assim mostrar o quão precioso eles são para alguém. Mesmo que não para muitos.
Mas não posso - isso não significa que eu não os leio, não. Significa que eu não sei como me equivaler à altura do escrito e do sentido.
Não tenho como descrever sequer minha reação ao compreender ainda que pessoal e parcialmente o que você diz. E temo que esta mesma minha reação não seja um mérito pra você, perdoa-me.

Peço apenas que continue. Não é só intelectual como é radical, singelo e necessário.

Gomorra disse...

Pois eu queria é ter forças argumentativas para confessar em altíssimo e bom som o quanto este teu comentário me foi mais do que meritório, foi digno, foi humano, foi sensível, foi motovacional, foi pungente, foi...

Só me resta gritar OBRIGADO, volte sempre!

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