terça-feira, 8 de março de 2011

A PERFEITA EPIFANIA ERÓTICA QUE UMA CANÇÃO NO BANHO DESENCADEIA...

Na madrugada de ontem para hoje, banhei-me ao som de “Teresinha”, canção do Chico Buarque eternizada na memória de muitos de minha geração por causa de um magistral quadro humorístico d’Os Trapalhões na TV. Porém, enquanto repetia e repetia aquela canção, permiti que ela impregnasse tanto as minhas sensações que o filme que vi em seguida a este banho fosse cotejado proveitosamente com a sua letra.

Tratava-se do clássico erótico em episódios “Pornô!” (1981), do qual não somente gostei bastante, como espero rever em breve e, se possível, apresentá-lo aos meus amigos como uma bem-sucedida tentativa de erotismo tupiniquim, demonstrando que o termo ‘pornochanchada’, atribuído a muitos filmes do início da década de 1980, é equivocado, dada a dramaticidade insuspeita do filme em pauta. Senão, vejamos:

“O primeiro me chegou como quem vem do florista:
Trouxe um bicho de pelúcia, trouxe um broche de ametista.
Me contou suas viagens e as vantagens que ele tinha.
Me mostrou o seu relógio, me chamava de rainha”


O primeiro dos episódios, “As Gazelas”, dirigiu por Luiz Castellini, é o menos interessante dos três, mas, ainda assim, muito bom. Aborda os jogos eróticos de duas colegas de escola tachadas de virgens. Uma por ter inclinações lésbicas, a outra por parecer puritana mesmo. Reúnem-se na casa de uma delas com o pretexto de estudaram para uma prova, mas, aos poucos, estarão estudando os seus próprios corpos, com conclusões agradáveis não somente para elas, como também para o público, em especial, o ginecofílico.

“O segundo me chegou como quem chega do bar:
Trouxe um litro de aguardente, tão amarga de tragar.
Indagou o meu passado e cheirou minha comida.
Vasculhou minha gaveta, me chamava de perdida”


O segundo episódio, “O Prazer da Virtude” (mostrado em foto), meu preferido por motivos óbvios, é dirigido por David Cardoso, que se revela mais e mais talentoso a cada novo filme dele que vejo. Neste, a trama é quase óbvia em seu simbolismo sexual: um rico ‘flanêur’ que se vê atraído por uma bela mulher que encontra na rua (a diva sensual Matilde Mastrangi), uma mulher que “já deu mais do que arroz no brejo”, mas com a qual ele só consegue fazer sexo depois que a veste de freira. As cenas de banho solitário (masculino e feminino) deste filme entraram, com louvor, para o panteão das cenas cinematográficas mais excitantes que já vi em vida!

“O terceiro me chegou como quem chega do nada:
Ele não me trouxe nada, também nada perguntou.
Mal sei como ele se chama, mas entendo o que ele quer!
Se deitou na minha cama e me chama de mulher”


O terceiro e último episódio, “O Gafanhoto”, é dirigido pelo sino-brasileiro John Doo e difere bastante dos anteriores: é muito mais dramático, difícil, estendido e denso. Na trama, um rapaz tenta fugir da opressão sobrenatural perpetrada por uma moça cega que enxerga tudo o que ele faz através dos vários espelhos que abundam pela casa. Até que ele descobre que os cobrindo com lençóis, ela fica incapaz de exercer seu poderio sobre ele. “No escuro, todos os espelhos ficam cegos”, repete ela, que mais tarde descobrirá um intenso orgasmo quando o rapaz depositar o inseto titular sobre sua vagina. Absolutamente impressionante!

Pelos motivos relatados na postagem paralela entre descrição do filme e letra da canção, ambas foram favoritadas em meu gosto artístico particular. Recomendo, no sentido mais emocionado que este verbo possa comportar!

Wesley PC>

Nenhum comentário: