quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

COISAS QUE EU NÃO APRENDO – III: ESTUDAR E SE DIVERTIR SÃO FACETAS DIFERENTES DE UM MESMO PROCESSO!

Quem foi que disse isso?! Muitas das pessoas que já passaram por minha vida, desde a infância, disseram-lho... E recuso-me vivenciar isto neste exato momento, quando sou obrigado a escrever um artigo de 15 páginas sobre militância homossexual e movimentos sociais sergipanos, algo que faria voluntariamente e de olhos quase fechados, mas, no contexto obrigatório-acadêmico em que tal exigência se apresenta agora, pareço vitimado por aquilo que chama de “bloqueio criativo”. Digito, digito, e o resultado não me parece interessante, opaco até, o que é imperdoável, considerando-se a minha relação pessoal com o tema!

Ciente de tudo o que escrevi no parágrafo anterior, dei uma pausa para mim mesmo e ouvi o extraordinário disco de estréia do grupo ‘punk’ norte-americano Dead Kennedys: “Fresh Fruit for Rotting Vegetables” (1980), trinta e três minutos e três segundos de ‘hardcore punk’ de primeiríssima qualidade! E muito bem-humorado, acima de tudo, uma perfeita combinação entre sonoridades contagiosas e discurso político incisivo, conforme pode ser observado somente ao passar os olhos pelos títulos das canções, que vão da ironia extrema da abertura (aos gritos de “Kill, kill, kill the poor!”) ao cinismo da faixa final (uma regravação sarcástica do clássico perdulário “Viva Las Vegas”, popularizado por Elvis Presley naquele que talvez seja o filme menos incômodo que ele protagonizou).

“Zen fascists will control you
Hundred percent natural
You will jog for the master race
And always wear the happy face
Close your eyes, can't happen here
Big Bro' on white horse is near
The hippies won't come back you say
Mellow out or you will pay
Mellow out or you will pay”


A famosa “voz de desenho animado” do vocalista e compositor Jello Biafra adéqua-se magnificamente ao tom de protesto convulsivo de cada uma das canções, seja quando ele extravasa toda a sua fúria em refrões como os de “Drug Me”, “Chemical Walfare” ou “Holiday in Cambodia”, seja na magnificência politicamente contagiante de “California Über Alles”, recentemente utilizada de forma incidental – e, novamente, sarcástica – num filme do David Fincher. Estou agora ouvindo o disco pela segunda vez seguida e creio que estou pronto para enfrentar meu bloqueio criativo. Afinal de contas, definitivamente criatividade é o que não falta em “Fresh Fruit for Rotting Vegetables”. E originalidade protestante contagia!

California über alles
California über alles
Über alles California
Über alles Califórnia


Wesley PC>

Um comentário:

Michelle disse...

Adorei esse post.
Sou suspeita para falar pois amo DK. Esse ano tive a oportunidade de ver o show do Jello Biafra com sua nova banda.
Foi maravilhoso!