sábado, 18 de dezembro de 2010

“ALGUÉM NÃO PODE SER TÃO BONITO ASSIM, ISSO NÃO DEVE FAZER BEM A NINGUÉM” [“REINE SOBRE MIM” (2007, DE MIKE BINDER)]

Nunca desconfiei que o Adam Sandler tivesse um potencial dramático. Paul Thomas Anderson e Frank Coraci já demonstraram isso muito bem, mas eu precisava ver este tal de “Reine Sobre Mim” (2007, de Mike Binder) para confirmar. Não sei se para minha sorte ou azar, vendo o filme em si, o talento de Adam Sandler terminou sendo um interesse secundário: seu papel é tão formatado para ser dramática e traumaticamente intenso que quase qualquer um obteria o mesmo sucesso ao vivificá-lo ou ao pronunciar o aforismo acima, referindo-se à psiquiatra interpretada por Liv Tyler. Linda!

Quando esta frase foi pronunciada, por outro lado, pensei noutra pessoa. Numa pessoa que, de sua forma não-consentida e involuntária, reina sobre mim e com a qual já tivemos uma conversa semelhante acerca dos perigos da beleza: “é quase irrelevante que tu sejas tão bonito. Isso eu poderia encontrar em quase qualquer outro. Mas tu tens algo que somente tu tens. E esse algo é o que me faz ser teu súdito!”, disse eu, há algumas semanas. E foi por causa deste guri que, hoje especificamente, eu vi este filme e me identifiquei – mais do que o previsto pelos produtores do filme – com alguns aspectos secundários do roteiro.

Na trama, um dentista oprimido pela esposa hiper-protetora é assediado por uma paciente amargurada, que deseja lhe conceder sexo oral a fim de aplacar um pouco da dor que sente, por se sentir sozinha depois que se divorciara de um marido infiel. Na rua, ele encontra um antigo colega de faculdade, que sofrera um forte estresse pós-traumático depois que sua família inteira (esposa, três filhas e o cachorro) morreu durante um dos atentados terroristas nova-iorquinos de 11 de setembro de 2001. Triste como jamais cria que ficaria, ele retrocede mentalmente [julgamento dos personagens do filme] e age como se não se lembrasse de nada, divertindo-se do jeito que pode, dedicando-se a jogos eletrônicos e a uma coleção de discos de vinil com mais de 5.500 títulos. Ele ama música, ‘rock’ clássico, o que justifica o belo título do filme, retirado de uma canção de The Who. Mais sobre o filme, só vendo-o. Por mais simples e direto que ele pareça em seus intentos terapêuticos, é um filme bom. Eu recomendo, para além do trocadilho titular com o nome do moço bonito em que eu pensei quando imaginei Liv Tyler como um homem de 24 anos (risos). Ele, definitivamente, reina sobre mim!

À medida que o filme se aproxima do final, alguns atropelos tribunalescos típicos da democracia norte-americana ameaçam prejudicar a dramaticidade nata, mas não conseguem. Neste momento, eu concentrei-me na música. E, como tal, pensei em “Karma Chameleon”, do Culture Club, que é o meu tema do dia. Ouço-a repetidamente no dia de hoje, conforme confessei aqui. E, por alguns segundos, eu torno públicos uma página de minha agenda pessoal e um questionamento: será que eu preciso de um psiquiatra?

Wesley PC>

3 comentários:

jonas-16 disse...

heheheh, Achei o filme bom na medida: não me empolgou, mas confesso que também achei curiosa a linha dramática do Adan. Sobre tudo, a música é mesmo muito bom e me faz pensar sobre o que ele formula em sua cabeça ao escutar aquele mp alguma coisa em cima de sua patinete quando percorre a cidade.

tatiana hora disse...

acho que eu ia gostar desse filme...

e acho que "ele ser tão bonito assim" não fez bem foi a mim kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

bjs

Pseudokane3 disse...

Escutar música em fones de ouvido é uma atividade psicodélica redentora! (risos)

"Ele ser tão bonito assim" é um perigo, com o qual eu finjo que sei lidar, mas não sei, não sei!

E não é que o filme seja bom ou ruim, mas, admito: ele é destoante do que se vem fazendo no gênero dramático em Hollywood: por vezes, até me pareceu um daqueles filmes 'pimba' independentes. Tem situações muito boas (o traumatizado protagonista dizendo que vai à sessão por causa dos peitos de sua psiquiatra, por exemplo) e, em razão do contexto muito pessoal, vai ficar marcado como um dos meus filmes de dezembro! (risos)

De resto, a gente sobrevive. cada um de nós...

WPC>