quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

“OS ALIENÍGENAS NÃO ENTENDEM O CONCEITO DO DIREITO DE POSSE E PROPRIEDADE”!

Que bom para eles, digo de antemão! Frase e reflexão advieram do filme que, agora, às 20h28’ de 31 de dezembro de 2009, ouso chamar de “o melhor do ano”: “Distrito 9” (2009, de Neill Blomkamp). Perdi a chance de vê-lo na tela grande do cinema, como deveria, mas, graças aos esforços conjuntos de meu chefe (que baixou o filme) e de alguns amigos virtuais (que me obrigaram a vê-lo antes que o ano acabasse), tive acesso a um verdadeiro petardo anti-preconceito, um filme de ficção científica em que o ótimo roteiro é vital e importante, focando o drama de uma população alienígena que é obrigada a se confinar numa favela em Joanesburgo, África do Sul, depois que a nave em que viajavam quebra. Recolhidos por um grupo assistencialista, eles vivem duas décadas na tal favela, que logo multiplica seu tamanho e passa a incomodar drasticamente os vizinhos humanos, que se sentem constantemente em perigo frente à fome e decadência dos alienígenas. Estes são viciados em comida de gato e tornam-se reféns velados de mafiosos nigerianos, que traficam armas, jogos e prostitutas nas fronteiras da favela que dá título ao filme, o que força uma operação de despejo patrocinada por uma empresa bélica, cujas motivações são tudo menos humanitárias (ou “alientárias”, conforme corrigiu um esperto crítico brasileiro).

Todas estas informações são despejadas nos 3 primeiros minutos de projeção e revelam que o filme não é somente divertido ou assustador, mas uma poderosa denuncia contra qualquer tipo de segregação já existente neste mundo, de maneira que as oposições catastróficas enfrentadas pelos alienígenas acossados (bem como com um humano posteriormente filiado a eles), que se encontram perseguidos por racistas, mendicantes, empresários, militares e gangsteres, entre outras configurações humanas iracundas. O desfecho do filme é impressionante, bem como o uso original da nova fórmula do “falso documentário” que impregna diversos filmes contemporâneos. O pior (ou melhor): ao final, percebemos que não é só um filme. A ameaça é real e os alienígenas representados podem ser associados simbolicamente ás minorias vitimadas de nossa sociedade. Se o filme não é uma obra-prima completa, isso se deve às imposições produtivas de entretenimento coletivo, mas, mesmo nesta área delicada, ele consegue ser muito bem-sucedido, configurando-se num dos filmes de ação mais inteligentes da década. Obrigatório!

E, com isso, deixo o meu recado... Deixo o meu recado... deixo o meu recado...

Wesley PC>

Um comentário:

Bigato disse...

Weslinho, assiste este filme algumas horas depois que você, rsrsrs. Achei o filme de "ficção" mais realista que existe. Concordo totalmente com sua resenha do filme.