quinta-feira, 25 de junho de 2009

OBSERVAÇÃO RÁPIDA SOBRE “HAIRSPRAY – E ÉRAMOS TODOS JOVENS” (1988), DE JOHN WATERS, E SUA FUTURA (E DESNECESSÁRIA) REGRAVAÇÃO


Recentemente, eu teci alguns comentários negativos ao musical hollywoodiano “Hairspray – Em Busca da Fama” (2007, de Adam Shankman). Um dos principais argumentos contra o filme é que ele era regravação de um filme dirigido por um cineasta do qual sou fã, o que, para mim, é, por si só, dispensável. Ontem eu vi o filme original e, para minha surpresa, achei-o levemente inferior à sua posterior regravação. Não que isso me faça corrigir qualquer comentário feito sobre o filme mais recente, mas preciso admitir que John Waters realizou aqui o seu filme mais transgressivamente nulo, em que o discurso bem-intencionado pró-integração racial perde-se na redução dos elementos de infâmia que caracterizavam suas ótimas obras anteriores. Se em “Pink Flamingos” (1972), os destaques eram um ‘strip-tease’ anal e a antológica cena em que o travesti Divine come cocô de cachorro fresco; e em “Female Trouble” (1974), uma mãe envergonha-se sobremaneira do heterossexualismo enfadoinho de seu filho e novamente Divine se submetia a ser considerada “a pessoa mais nojenta do mundo”, esfregando peixe morto por toda a larga extensão de seu corpo; em “Hairspray – E Éramos Todos Jovens”, John Waters rende-se ao “politicamente correto”, realizando apenas um filme engraçadinho, que fica atrás de sua regravação (muito fiel por sinal) apenas em um detalhe: a execução da bela canção “I Can’t Ring the Bells” na trilha sonora da 2ª versão, que é deveras emocionante e que pode ser comparada, em efeito dramático, à divertida cena da primeira versão em que a protagonista gordinha é insistentemente chamada de “barata” por sua rival loira e, para demonstrar que é maior que qualquer insulto, usa no baile final um vestido bordado com várias figuras de ortópteros. Conclusão definitiva: as duas versões dos filmes são apenas simpáticas e o fato de a segunda versão ganhar dois décimos acima do primeiro filme não torna defensável a sua existência enquanto projeto. Basta de regravações hollywoodianas, mas vejam os dois filmes e comparem também!

Wesley PC>

Um comentário:

ana luiza disse...

Olá, gostaria muito do filme , o primeiro de 1988, vc baixou ele ?