domingo, 31 de maio de 2009

REVENDO CONCEITOS SOBRE O BUDISMO (OU “WESLEY, A TELEVISÃO É DO OUTRO LADO!”)


Não explicarei por enquanto a origem da frase entre parênteses no subtítulo, mas adianto que ela tem a ver com minha inevitável sujeição ao parasitismo contemplativo. O garoto que pronunciou a tal frase talvez tenha ficado chateado com minha insistência observadora, ao passo em que eu me senti preocupado, mas incapaz de me arrepender de ansiar por sua presença incontinente. Tive que dormir “para apagar o facho”. Sonhei que o moço responsável pelo pronunciamento advertente me pedia para baixar pela Internet a discografia completa da banda Siouxsie & the Banshees. Qual não foi a minha surpresa, hoje pela manha, em, ao ouvir uma coletânea de clássicas músicas tristes do Morrissey, deparar-me justamente com a vocalista desta banda, Siouxsie Sioux, colaborando em um dueto na canção “Interlude”, que diz mais ou menos o seguinte:

“O tempo é como um sonho
E, agora, por um tempo, tu és meu
Vamos adiantar-nos para este sonho
Que é saboroso e cintilante como o vinho

Quem sabe (quem sabe?) se isto é real?
Ou se é somente um sonho que estamos vivenciando juntos?
O que parece ser um intervalo agora pode ser o começo de um amor

Te amar...
É um mundo bem mais estranho do que o meu coração pode suportar!
Te amar...
Faz meu inteiro mundo se modificar
Amando-te, eu não posso crescer

Não, ninguém sabe quando o amor irá findar
Então, caro amigo...”


E é assim mesmo que a canção/declaração se encerra: reticente. Não precisamos saber o que o eu-lírico duplicado da canção queria dizer para entendermos o que eles queriam dizer. Urge ser mais forte que o medo do “final do sonho”! “Uma hora de vida ainda é viva”, diriam os sobreviventes do Holocausto Judeu em meu auxílio...

Chegando em casa, folheei um livro de meu sociólogo favorito, o patrono Émile Durkheim. No referido livro, ele explica a presença da divindade não é uma característica essencial das religiões, visto que é possível encontrarmos “religiões atéias”. Segundo ele, o budismo é uma destas, visto que, ao invés de ser baseado na subsunção a um Deus antropomorfizado, tal religião consiste basicamente em quatro nobres verdades essenciais:

1- A existência da dor é ligada ao perpétuo fluxo das coisas;
2- O desejo é a causa da dor;
3- A supressão do desejo é o único modo de suprimir a dor;
4- A fim de se chegar a tal supressão, é mister passar por três etapas: a retidão, a meditação e, enfim, a sabedoria, a plena posse da doutrina, etapas estas que levam ao término do caminho, onde estão a libertação, a salvação, o Nirvana.


Desde muito pequeno, sempre temi o Nirvana. Sempre entendi meditação como sendo um tipo de privação negativa. Estava enganado. Talvez o Budismo reserve o tipo de conforto individual que necessito. Recebi uma advertência por estar desejando. Na terceira, posso ser suspenso e/ou expulso. Prefiro não arriscar...

Wesley PC>

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